A arte muitas vezes transmite algo que ainda não pôde ser dito ou nomeado.
Filme
Le Rayon vert (Éric Rohmer, 1986)
“O Raio Verde” é um filme francês de 1986 dirigido por Éric Rohmer que acompanha Delphine, uma jovem introvertida que após passar por uma desilusão amorosa enfrenta a perspectiva angustiante de passar as férias de verão sozinha. O filme aborda, através do olhar da protagonista, temas como depressão, solidão e o anseio por se conectar com o outro.
Filme
In the Heat of the Sun (Jiang Wen, 1994)
“In the Heat of the Sun” é um filme chinês de 1994 dirigido por Jiang Wen que retrata os anos de amadurecimento de um grupo de jovens durante o período de Revolução Cultural no país, através de um olhar intimista para as relações de pertencimento, descoberta da sexualidade e desafios da adolescência. O filme é narrado pelo protagonista Ma Xiaojun e em sua construção aborda o tema da memória e da narrativa, nem sempre linear e confiável, de uma vida.
Filme
Paprika (Satoshi Kon, 2006)
“Paprika” é um filme de animação japonês dirigido por Satoshi Kon lançado em 2006. A partir de uma tecnologia que permite terapeutas de entrarem nos sonhos de seus pacientes, o filme aborda questões como trauma, avanços tecnológicos e os limites entre realidade e sonho.
Filme
Persona (Ingmar Bergman, 1966)
“Persona” é um filme sueco de 1966 escrito e dirigido por Ingmar Bergman. Quando uma atriz teatral de sucesso sofre uma crise emocional e para de falar, uma enfermeira é designada a cuidar dela em uma casa isolada. A relação das duas personagens traz à tona questões sobre identidade, isolamento e feminilidade.
Livro
O Deserto dos Tártaros (Dino Buzzati, 1940)
“O Deserto dos Tártaros” é um romance do escritor italiano Dino Buzzati, publicado em 1940. A história acompanha a trajetória de um jovem tenente que é enviado para um posto de trabalho remoto. O livro aborda questões como a passagem do tempo, expectativas e inibição.
Livro
O quarto de Giovanni (James Baldwin, 1956)
“O quarto de Giovanni” é um romance americano escrito por James Baldwin em 1956. O livro trata do encontro e relacionamento entre dois jovens na cidade de Paris. O livro aborda questões como sexualidade, masculinidade e preconceito.
Livro
A Cidade e a cidade (China Miéville, 2009)
“A Cidade e a cidade” é um livro de ficção científica escrito pelo autor britânico China Miéville em 2009. A história tem início a partir uma ampla investigação de assassinato em duas cidades que existem simultaneamente no mesmo espaço, cada uma cujos cidadãos são proibidos de entrar ou reconhecer a outra cidade. O livro aborda questões como invisibilidade social, diferenças culturais e política.
Livro
O amor dos homens avulsos (Victor Heringer, 2016)
“O Amor dos Homens Avulsos” é um romance do autor brasileiro Victor Heringer publicado em 2016. A história é narrada por Camilo que relembra sua juventude no Rio de Janeiro. O livro aborda questões como o despertar da sexualidade, violência e trauma.
Artigo
O QUE SE QUER?
A pergunta “o que eu quero?” muitas vezes se confunde com “o que o outro quer de mim?” tendo em vista que somos o tempo todo bombardeados com imperativos familiares e culturais sobre o que deveríamos ser ou o que devemos querer para nós mesmos. Será que é isso mesmo que eu desejo? Será que é possível desejar para além do que o outro espera de mim? Afinal, o que é isso que o outro espera de mim? Aliás, tem algum outro esperando algo de mim realmente? Essas e outras questões surgem aos sermos confrontados com a questão do desejo e na tentativa incansável de formular uma resposta nos deparamos com as armadilhas, mas também com as tantas possibilidades, oferecidas pela linguagem. Através da fala, e da escuta do que está sendo dito, é possível identificar os ideais que assombram quem fala e que por serem eles mesmos construídos no campo da linguagem — do que se ouviu, se viu e captou da fala de um outro — causam sofrimento e paralisia na possibilidade de desejar. A análise possibilita um espaço para o exercício da fala e, portanto, oportunidade de se dizer de outras formas para além daquelas que nos foram ditas por outros ao longo da nossa vida.
Artigo
A PALAVRA QUE FALTA
É usual que nos deparemos com a dificuldade de falar exatamente o que estamos pensando e transmitir com exatidão o que estamos sentindo. Nas relações cotidianas com familiares, amigos, colegas de trabalho e nos relacionamentos amorosos, por vezes, nos sentimos incompreendidos. As falhas na comunicação nos causam sofrimento e nos fazem questionar o que dizemos e se o outro de fato está nos escutando. Faltam palavras ou as palavras, mesmo que abundantes, faltam em significar a totalidade do que queremos dizer. Ao falar somos confrontados constantemente com a impossibilidade de dizer tudo, e mais do que isso, somos surpreendidos com aquilo que se produz a partir da falha em nossa fala. A análise é um espaço de acolhimento disso que é estranho para nós mesmos, possibilitando a produção de um saber sobre si através dos deslizes e percalços do discurso.